quinta-feira, 2 de março de 2017

meia calabreza meia mussa (ou tem muita gente querendo trocar de profissão)

samba-rock-gafieira

é
só se maltrata o pizzaiolo
que
pede consolo ao psiquiatra

é
só se maltrata o pizzaiolo
que
pede consolo ao psiquiatra

sociopata
não ter
hora exata
morrer
na labuta

é
só se maltrata o pizzaiolo
que
pede consolo ao psiquiatra

é
só se maltrata o pizzaiolo
que
pede consolo ao psiquiatra

não se mata
porque
tem a data
fazer
a consulta

é
só se maltrata o pizzaiolo
que
pede consolo ao psiquiatra

é
só se maltrata o pizzaiolo
que
pede consolo ao psiquiatra

da pizzaria 
ao aeroporto

como pode

da terapia
ao pagode

quem diria

que mundo torto

é
foi pra sumatra o pizzaiolo
e
tocou rebolo o psiquiatra

é
foi pra sumatra o pizzaiolo
e
tocou rebolo o psiquiatra



pra escutar esse som mande e-mail pra zinedojao@gmail.com ou aguarde - quem sabe - no próximo disco do Jorge Ben ou Clube do Balanço ou Skowa ou Trio Mocotó

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

no semáforo

- Porra! Jogando as clavas aqui que nem besta! Ninguém olhando...
- Todo mundo no smartfone...
- Menos o motorista do busão...
- É... Ele só tá dormindo...

sábado, 4 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Eu não entendo...

Parceria com Marta Varibe que foi publicada na Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Sobre cadeias e ladrões

Escrevi o texto abaixo prum zine em 2012 quando Eike Batista era a pessoa mais rica do Brasil e todos os jornais só elogiavam seu sucesso:

Parto do princípio de que toda propriedade é um roubo. Portanto quanto mais propriedades uma pessoa tem, mais ladra ela é. Portanto quanto mais dinheiro uma pessoa tem mais ladra ela é. Portanto o maior ladrão do Brasil é o Eike Batista. Se alguém nesse país tivesse que ser encarcerado por roubo esse alguém é o Eike Batista.


Só que também parto de outro princípio. De que ninguém deve ser encarcerado por roubo. 

O primeiro motivo é óbvio, só não vê quem não quer: no Brasil só são presos os pobres, na maioria negros; descendentes da relação escrota entre nativos, brancos europeus e negros africanos. Adivinha quem até hoje lotam as cadeias? Os que tinham armas menos mortais na época dessa relação escrota, claro. Até hoje, esses, com armas menos mortais na época, são os mais roubados, os que menos tem propriedades, e os que são encarcerados por roubo. Ou não é? São todos presos políticos.

O segundo motivo é porque parto do princípio já dito de que toda propriedade é um roubo. Logo, deve-se abolir a noção de propriedade - que é um roubo - e, conseqüentemente, abolir as cadeias que prendem pessoas por essa atitude - o roubo. 

LIBERDADE AO EIKE BATISTA!!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Em breve nas melhores e piores livrarias do ramo...

ISSO É ÓTIMO, GENIAL E PÉSSIMO 


AO MESMO TEMPO




sobre como tudo é caótico e complexo e como a forma binária de pensar ferra com as relações humanas


 ensaios livres de Abijupaé Tremoço

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Nostalgia


Eu já tava enxergando isso lá em 2017, dizia vovó enquanto comia uma barra de cereal. Ela contava que antes tinha um jeito diferente de se alimentar. Tinha o arroz e o feijão, que eram os alimentos de todo o dia, e tinha sempre um bicho morto que a gente comia também, dizia ela. Hoje são só essas barras de cereal compostas sem graça. Mas vó, aqui nas barrinhas tem tudo que a gente precisa, dizia eu contrariado, jogando meu jogo novo, mas escutando-a atento. 
Vovó continuava, estava falante naquele dia: saudade dos bairros, de andar a pé nas ruas. Mas a gente anda a pé na rua, reclamei, aquela nostalgia de vovó de certa forma me irritava. Você anda a pé aqui, na rua do condomínio, a gente andava a pé na rua de verdade, disse vovó aumentando o tom, mais ríspida, meio que entrando na música da minha irritação.
Eu me acalmei pra tentar entender o que ela dizia, não me fazia sentido nenhum falar que a rua do condomínio não era uma rua de verdade. Tinha uma rua em que andávamos todos, a pé, a hora que queríamos, ricos e pobres, ela falou. Fiquei atento escutando. Médicos, professores, técnicos, empregadas domésticas, todos andavam na mesma rua. Tinha um lugar chamado centro da cidade. Minha mãe, que era professora de educação infantil, adorava fazer compras uma vez por semana no centro da cidade, continuou vovó, meu pai gostava de pescar no mar, era de graça, só jogar a vara. E ao invés dessa pílula imbecil que a gente toma toda a noite, a gente tinha jeitos diferentes de viajar estando aqui: tínhamos o álcool, a maconha... Eu adorava uma cervejinha - os olhos de vovó brilharam ao dizer a a palavra cervejinha, ela estava bem falante. Achei engraçada o som daquela palavra: cervejinha, repeti mentalmente, cervejinha...
Mas as coisas mudam muito rápido, querido. De repente começou todo mundo a se mudar dos bairros, que eram amontoados de casas como os condomínios, mas que ficavam nas ruas de verdade, porque os bairros estavam perigosos, e os governos deixaram de investir em educação e saúde, e passaram a investir só em policiamento e cadeias. Aí eram prisões e mais prisões, a juventude pobre foi sendo presa aos milhares semanalmente, e as cadeias viraram centro de empregos pros técnicos. Quando percebemos as favelas só tinham as empregadas domésticas, faxineiras e cozinheiras. Daí veio a lei de 2062, em que proibiram as favelas de existir. Daí as empregadas domésticas, faxineiras e cozinheiras passaram a morar nas cadeias junto com seus filhos, pais e irmãos. Daí hoje vocês nem enxergam outro jeito possível de entender a coisa toda, pois só enxergam os condomínios e as cadeias, finalizou vovó, num tom triste.
Minha mãe entrou assustada na sala, me chamou pro quarto dela e falou baixinho uma coisa que também não entendi: 
- Não leve sua vó a sério, meu filho, ela está senil e agora deu pra ter essas conversas carregadas de ideologia comunista.